segunda-feira, 15 de junho de 2015


Os mesmos sintomas podem ter diferentes causas



Nada melhor do que começar este tema transcrevendo um pequeno parágrafo do prefácio do Livro 1, Medicina Funcional Integrativa, da autoria da Dr.ª Cristina Sales:

”Os organismos biológicos complexos, como o organismo humano, são delicadíssimos sistemas organizados em rede, nos quais nenhum estímulo desencadeia uma resposta única ou pontual, nos quais cada elemento bioquímico ou molecular actua em centenas ou milhares de locais diferentes, de formas eventualmente diferentes.”

Em qualquer tratado de Medicina Interna encontramos referência aos sintomas ou queixas mais frequentes, que com certeza todos nós  já sentimos: a dor, a febre e a fadiga.





Se avançarmos na leitura dos vastos tratados verificamos que todos fazem referência á dor como o
sintoma mais comum para o qual o doente pede ajuda de um profissional de saúde.

É uma queixa muito subjectiva, com várias nuances individuais. Factores emocionais e culturais
influenciam a percepção da dor. 

Eliminadas as causas mais comuns da dor com caracter agudo, como: traumatismos, infecções,
cirurgias, doenças cancerosas, doenças isquémicas, doenças músculo-esqueléticas, deparamo-nos
comum universo de causas, por vezes muito difíceis de diagnosticar e que levam os doentes a
procurarem ajuda em múltiplas especialidades médicas.

Deste universo complexo sobressaem os síndromes dolorosos relacionados com transtornos articulares
e extra articulares.
Estes síndromes dolorosos podem ser manifestações de doenças sistémicas como as
doenças auto-imunes: artrite reumatóide, síndrome de Sjogreen , lupus sistémico,
pelvispondilite anquilosante e muitas outras.

Os desequilíbrios psicológicos podem estar subjacentes a dores músculo-esqueléticos persistentes,
por vezes de origem funcional.

A dor abdominal pode ter múltiplas causas, mas  está sempre presente na doença intestinal inflamatória.






A febre e hipertermia não são a mesma coisa. A febre é regulada pelas toxinas bacterianas ou
por outros estímulos induzidos pelos macrófagos e linfócitos. Estas células responsáveis pelas
defesas do organismo, produzem Interleucina 1, que actua no centro hipotalâmico regulador
da temperatura corporal
.

A hipertermia não é mediada pela interleucina, e pode ocorrer quando existe
aumento da temperatura ambiental.
Normalmente a febre tem um papel benéfico, reduzindo o desenvolvimento bacteriano.

A resposta febril é mais elevada nas crianças.
As causas podem ser diversas. Está presente nas infecções comuns, mas é autolimitada.

Nas doenças auto-imunes é frequente o aparecimento de febre, como por exemplo: no lupus sistémico,4
poliartrite nodosa, febre reumática, artrite reumatóide, dermatomiosite, esclerose múltipla, sarcoidose.
  • Doenças neoplásicas: cancro do fígado, pulmão, pâncreas, leucemias e linfomas.
  • Doenças cardiovasculares: o enfarte do agudo do miocárdio e embolia pulmonar
  • Doenças inflamatórias do intestino: colite ulcerosa, doença de Crohn.
  • Doenças endócrinas: hipertiroidismo e feocromocitoma.
Causas tóxicas: reacções a medicamentos, envenenamentos, tóxicos ambientais  ,reacções anafilácticas.






Este sintoma tão comum, pode ter imensas causas como as enfermidades ocultas.

Causas escondidas como a infecção por candidíase intestinal produz inflamação crónica e silenciosa
multisistemica
.
A fadiga quando associada a perda de peso involuntária requer estudo e diagnóstico urgente.

Fadiga cronica está associada á maior parte das doenças auto-imunes, fibromialgia e algumas
doenças depressivas
Já é reconhecida pela comunidade médica  a conexão psiconeuroimunologica que regula a
função endócrina, imunológica e psicológica.

O stress prolongado, a maior parte das vezes relacionado com a desarmonia espiritual, doenças crónicas,
falta de sono reparador, problemas nutricionais, pode conduzir a alterações da função tiroideia e da capsula
supra-renal. Aumento dos níveis de cortisol causa
desregulação do sistema imune.

O stress crónico continuado, rapidamente pode conduzir a uma situação de  fadiga adrenal (exaustão adrenal)
em que  não existem reservas de cortisol, comprometendo a função tiroideia e impossibilitando o organismo
de combater enfrentar situações  urgentes.

A hipovitaminose D pode ser uma causa silenciosa de múltiplos sintomas como as dores musculares difusas,
as dores de cabeça, um ligeiro estado febril, um mal estar que que vai e vem de forma inexplicável, e a
fadiga persistente que como sabemos pode acompanhara maior parte das doença auto-imunes.

A boa noticia é que grande parte destes sintomas podem ser causadas por
desequilíbrios funcionais que revelam alguma disfunção celular, mas para os quais ainda pode
existir retorno á normalidade.

Respeitando a individualidade bioquímica e a genética de cada um, muitas destas
doenças beneficiam com a correcção nutricional e suplementação adequadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário